Sindicato de Atletas São Paulo
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Por que somos goleiros? Eles revelam ao portal do Sindicato de Atletas

26, ABRIL 2017 às 04:54:22

Fabio Giannelli
Redação SAPESP


No dia 26 de abril, é comemorado o Dia do Goleiro em homenagem à Aílton Corrêa Arruda, mais conhecido como o "goleiro Manga", consagrado como um dos melhores goleiros da história do futebol brasileiro. 

Manga nasceu em 26 de abril de 1937 e defendeu times como o Sport do Recife, Botafogo, Porto Alegre, Coritiba, Grêmio, entre outros. Defendeu a Seleção Brasileira em amistosos e em Copas do Mundo.

A ideia de criar o Dia Nacional do Goleiro surgiu em 1975, a partir de uma iniciativa dos Professores da Escola de Educação Física do Exército do Rio de Janeiro, Raul Carlesso e o capitão Reginaldo Pontes Bielinski. Carlesso era o preparador físico da Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo de 1974 e foi o pioneiro em desenvolver uma preparação especial para os goleiros no Brasil.

No começo, a data foi comemorada em 14 de abril, porém, no ano seguinte (1976) alteraram para 26 de abril, homenageando o goleiro Manga.

E para celebrar essa data tão importante na vida dos atletas profissionais de futebol, o Portal SAPESP conversou com seis respeitados arqueiros que atuam ou já atuaram em São Paulo. Foram duas perguntas. O que é para você ser goleiro e como descobriu essa vocação?

Confira as respostas.

TOM - NOVORIZONTINO

Ser goleiro é tudo.  Fiquei mais responsável, mais maduro, mais firme, mais feliz e mais líder. Ser goleiro é ter caráter, não é qualquer um que assume essa responsabilidade.

Decidir se goleiro em 1993, quando eu tinha quatro anos. Era fã do Ronaldo, goleiro do Corinthians, naquela época. Nesse mesmo ano fui campeão pela primeira vez aos quatro anos de idade jogando futebol de salão.

WAGNER ASMIR – FLAMENGO DE GUARULHOS

Ser goleiro é a profissão mais bonita que Deus poderia ter me dado, tenho orgulho de ser e me tornado um goleiro profissional. É você ter uma responsabilidade dobrada dentro do campo. Além de goleiro, tem que ser um líder no grupo, você é o único ali no gol, apenas a trave que pode nos salvar de um possível erro (risos). Fazer belas defesas, pegar pênalti, dizem que é a mesma sensação de um jogador de linha que faz um gol.

Desde pequeno, sempre gostei de futebol. Jogava na rua, em campo de várzea. Com seis anos, queria ser atacante, porém eu era muito ruim (risos).  Como também não era o dono da bola, eu sempre ficava de fora. Como via que ninguém gostava de ir pro gol, acabei arriscando na posição e peguei o gosto. Hoje, já faz 24 anos que sou goleiro, onze deles como profissional.

ALTENIR – UNIÃO BARBARENSE

Ser goleiro é viver de desafios. O desafio de lutar contra a felicidade do futebol, que na verdade é o gol. É viver o desafio de ficar 90 minutos ou mais sem tirar os olhos de cada lance, sabendo que cada segundo é essencial para fazer uma defesa correta. É viver o desafio de saber que é o único, que não pode errar, porque depois dele só haverá as traves e a rede. Isso é ser goleiro.

Eu decidi ser goleiro através de alguns jogos escolares jogando futsal. Já tinha tentando jogar na linha, mas vi que minha área mesmo era ser goleiro.

JEFERSON SILVA - SÃO BENTO

Meu nome é Jeferson, sou goleiro, tenho 25 anos, natural de Salvador-BA, atualmente goleiro do Esporte Clube São Bento. Comecei minha carreira na divisão de base do Esporte Clube Vitória, da Bahia, onde fiquei por 10 anos e cheguei ao profissional. Após a minha saída do Vitória eu tive uma rápida passagem pelo Coritiba Foot Ball Club. Saindo do Coritiba comecei as passagens pelo estado de São Paulo, atuando pelo São Carlos F.C (2010/2011, conquistando o acesso para Série A2 do campeonato paulista), Capivariano F.C (2012/2013/2014, sendo campeão da Série A2 do Campeonato Paulista, consequentemente o acesso à 1' divisão), E.C Água Santa (2013, conquistando o acesso para a Série A3), E.C Primavera (2014,2015, conquistando o acesso para a Série A3 do campeonato paulista), Barretos E.C (2016), E.C São Bento (2016/2017, conquistando o acesso para a Série C do campeonato brasileiro).

Comecei aos oito anos de idade, já faz 17 anos que estou nessa profissão. É algo muito prazeroso, pois desde o meu primeiro dia como goleiro, num campo de terra, na cidade de Salvador, o sentimento pela posição foi algo indescritível. A cada defesa, tanto nos treinos quanto nos jogos, é uma realização de como tivesse feito um gol. Quando criança, eu gosta de ver o Marcão jogar (ex-goleiro do Palmeiras), pois sempre foi um cara que dava o seu melhor dentro de campo. Nos dias de hoje, gosto de ver o Ter Stegen (goleiro do Barcelona) e o Manuel Neüer (goleiro do Bayern de Munique), ambos alemães. São goleiros que mantém o alto nível em cada partida, além de ter a facilidade de jogar com os pés, como pede o futebol moderno. Ser é goleiro é treinar muito mais do que os outros jogadores das outras posições, é ficar bravo consigo quando levamos um gol quase impossível de defender, mas, mesmo assim, sempre achamos que daria para intervir. É a posição mais solitária, porém, em contrapartida, a mais apaixonante. Ser goleiro é amar o que faz, é ter o prazer de defender.

RAPHAEL BARRIOS – MOTO CLUB (MA)

Ser goleiro, na verdade, é ser dentre todos, o mais determinado, o mais centrado, o mais arrojado. Mesmo com menor destaque, em questão de minutos pode se tornar o dono da partida. Sempre é o que mais trabalha e consequentemente o mais sofre. É por isso que, sem amor, nessa profissão não se vive, pois realmente ela é ingrata.

Até hoje consigo descrever a sensação de fazer um "milagre". Aquele momento, aquele pequeno momento que,  indiferente de qual clube esteja, divisão ou campeonato, te faz se sentir no topo, orgulhoso. Faz pensar que sim, valeu apena todo o sofrimento. Acredito que goleiro nasce goleiro, pois não me recordo do momento  específico  pensei que seria goleiro. Acredito que isso já vem na alma, pois é necessário muito, muito mesmo, para estar entre nós. Por momentos como o que descrevi acima, vale muito apena. Não tem dinheiro que pague certas sensações na vida.

WILLIAN GUSTAVO – SUB-20 ATIBAIA

Ser goleiro é ser herói e vilão. É querer evitar o inevitável, achando que dava para defender o mais indefensável dos chutes. Depois de uma grande defesa, mesmo que não te agradeçam, saber que você é tão importante quanto o atacante.

É saber dizer que as falhas fazem parte do jogo, pois só quem joga debaixo das traves sabe o quanto as defesas que muitas vezes parecem fáceis podem ser bem mais difíceis do que se imagina.

Eu comecei a jogar no gol bem cedo, numa escola de futebol. Fiz meu primeiro treino na linha, depois desse treino me tornei goleiro. Isso tudo aconteceu por causa da Copa do Mundo de 2006. Eu via os goleiros fazendo defesas difíceis e achava aquilo espetacular e a vontade de virar goleiro veio através dá copa do mundo. 



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